Revisão de Literatura – Exc. in Reac. Journal. (Bahia) 1 (1) * jul 2026 * 10.5281/zenodo.21656468
MANEJO DE URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS NA SALA DE PARTO
Autores: Karol Bezerra Maciel Braga, Macerlane de Lira Silva, Anne Caroline de Sousa e Geane Silva Oliveira.
RESUMO: As urgências e emergências obstétricas constituem importantes causas de morbimortalidade materna e neonatal, representando um desafio para os serviços de saúde e para a equipe multiprofissional atuante na sala de parto. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo identificar através da literatura as principais urgências e emergências obstétricas ocorridas na sala de parto e discutir as condutas recomendadas para seu manejo. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas bases de dados LILACS, BDENF e MEDLINE. Foram incluídos artigos científicos completos publicados entre 2021 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, relacionados à temática proposta. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, dez estudos compuseram a amostra final. Os resultados evidenciaram que as principais urgências e emergências obstétricas identificadas foram a hemorragia pós-parto, a pré-eclâmpsia, a eclâmpsia, o descolamento prematuro de placenta, a embolia por líquido amniótico, a ruptura uterina, o prolapso de cordão umbilical, além da morbidade materna grave e do near miss materno. As evidências também demonstraram que o manejo dessas intercorrências deve estar fundamentado no reconhecimento precoce dos sinais de gravidade, na monitorização contínua da gestante e da puérpera, na utilização de protocolos assistenciais atualizados, na instituição imediata das medidas terapêuticas específicas, na atuação integrada da equipe multiprofissional e na capacitação permanente dos profissionais de saúde. Conclui-se que a adoção dessas condutas contribui para a redução das complicações maternas e neonatais, fortalece a segurança materno-fetal e favorece uma assistência obstétrica qualificada, humanizada e baseada em evidências científicas.
Palavras-chave: urgências obstétricas; emergências obstétricas; assistência obstétrica; sala de parto; saúde materna; saúde neonatal.
INTRODUÇÃO
As urgências e emergências obstétricas constituem importantes causas de morbimortalidade materna e neonatal em todo o mundo, configurando-se como um relevante problema de saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 287 mil mulheres morreram por causas relacionadas à gestação e ao parto em 2020, sendo a maioria desses óbitos considerada evitável mediante assistência qualificada e intervenções oportunas (World Health Organization, 2023).
A assistência obstétrica passou por importantes transformações ao longo do século XX, impulsionados pela implementação de políticas públicas voltadas à saúde materna e neonatal, como o programa de humanização do pré-natal e nascimento (PHPN) e pela adoção de práticas baseadas em evidências científicas. Essas transformações contribuíram para a qualificação da assistência ao parto e nascimento, favorecendo melhores desfechos maternos e neonatais e promovendo uma atenção mais segura e humanizada à gestante (Mendes et al., 2020).
Apesar desses avanços, as urgências e emergências obstétricas permanecem como importantes causas de morbimortalidade materna e perinatal, representando um desafio para os serviços de saúde. Essas intercorrências podem ocorrer de forma inesperada durante o trabalho de parto, parto ou pós-parto, inclusive em gestantes classificadas como de baixo risco, exigindo reconhecimento precoce e intervenção imediata da equipe multiprofissional (Domingues et al., 2024).
Entre as principais complicações obstétricas destacam-se a hemorragia pós-parto, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta, embolia por líquido amniótico, ruptura uterina e o prolapso de cordão umbilical. Tais condições apresentam elevado potencial de gravidade e podem resultar em desfechos maternos e neonatais desfavoráveis quando não manejadas adequadamente (Prata et al., 2025).
Nesse contexto, torna-se fundamental que os profissionais envolvidos na assistência ao parto estejam capacitados para identificar precocemente situações de risco e realizar intervenções rápidas e eficazes. A utilização de protocolos clínicos atualizados, associada à educação permanente e ao trabalho integrado da equipe multiprofissional, constitui estratégia essencial para a promoção da segurança materno-fetal e para a redução de complicações obstétricas (Oliveira et al., 2019).
A assistência obstétrica contemporânea deve estar fundamentada nos princípios da segurança do paciente, da humanização do cuidado e da prática baseada em evidências. Dessa forma, a atuação integrada entre enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem e demais profissionais envolvidos no processo de parturição torna-se essencial para garantir intervenções oportunas e eficazes diante das situações de urgência e emergência obstétrica (Febrasgo, 2023).
A escolha da temática justifica-se pela elevada ocorrência de complicações obstétricas graves e pelo impacto que essas condições exercem sobre os indicadores de saúde materna e neonatal. Considerando que grande parte dos óbitos e agravos relacionados ao ciclo gravídico-puerperal pode ser evitada mediante assistência qualificada, torna-se fundamental ampliar o conhecimento acerca das principais urgências e emergências obstétricas e das condutas recomendadas para seu manejo.
Diante disso, o presente estudo tem como objetivo identificar através da literatura as principais urgências e emergências obstétricas ocorridas na sala de parto e discutir as condutas recomendadas para seu manejo.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, método de pesquisa que possibilita a síntese do conhecimento científico disponível sobre determinada temática, permitindo a incorporação de evidências na prática assistencial. A revisão integrativa foi conduzida conforme as etapas propostas por Mendes, Silveira e Galvão (2008): identificação do tema e elaboração da questão norteadora; estabelecimento dos critérios de inclusão e exclusão; definição das informações a serem extraídas dos estudos selecionados; avaliação dos estudos incluídos; interpretação dos resultados; e apresentação da revisão.
A pesquisa foi desenvolvida a partir da seguinte questão norteadora: quais são as principais urgências e emergências obstétricas ocorridas na sala de parto e quais as condutas recomendadas para seu manejo?
A busca bibliográfica foi realizada no período de maio de 2026 por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando as bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Base de Dados de Enfermagem (BDENF) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE). Para a estratégia de busca foram empregados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Urgências Obstétricas”, “Emergências Obstétricas”, “Sala de Parto”, “Assistência Obstétrica” e “Saúde Materna e Neonatal”, combinados por meio do operador booleano AND.
Foram adotados como critérios de inclusão: artigos científicos disponíveis na íntegra, publicados entre os anos de 2021 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem diretamente as urgências e emergências obstétricas ocorridas na sala de parto e suas respectivas condutas de manejo. Foram excluídos artigos duplicados, estudos de revisão, editoriais, cartas ao editor, teses, dissertações, monografias, trabalhos de conclusão de curso e publicações que não apresentavam relação direta com o objetivo do estudo.
Inicialmente foram identificados 100 estudos nas bases de dados consultadas, sendo 51 provenientes da MEDLINE, 12 da LILACS e 37 da BDENF. Após a leitura dos títulos e resumos e aplicação dos critérios de elegibilidade, 30 estudos foram excluídos por não atenderem aos objetivos da pesquisa ou por apresentarem duplicidade. Ao final do processo de seleção, 10 artigos compuseram a amostra final desta revisão integrativa.
Os estudos selecionados foram submetidos à leitura na íntegra e analisados de forma descritiva e qualitativa. Para a extração e organização dos dados foram consideradas as seguintes variáveis: autor, ano de publicação, periódico, objetivo do estudo e principais resultados relacionados às urgências e emergências obstétricas na sala de parto. Posteriormente, os achados foram agrupados por similaridade temática, possibilitando identificar as principais intercorrências obstétricas e as estratégias recomendadas para seu manejo, com base nas evidências científicas disponíveis.
Por se tratar de uma pesquisa realizada exclusivamente com dados secundários disponíveis em domínio público, sem envolvimento direto de seres humanos, não houve necessidade de submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa, conforme preconiza a Resolução nº 510, de 07 de abril de 2016, do Conselho Nacional de Saúde.
Fluxograma 01 – Fluxograma de seleção dos estudos que compuseram a revisão integrativa

Fonte: Adaptado Prisma (2020). Dados da pesquisa (2026).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após a busca nas bases de dados selecionadas, foram identificados 100 artigos relacionados ao tema. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 90 estudos foram excluídos. Ao final, 10 artigos atenderam aos critérios estabelecidos e compuseram a amostra desta revisão integrativa.
Os estudos analisados evidenciaram a importância da identificação precoce e do manejo adequado das urgências e emergências obstétricas na sala de parto, destacando a atuação da equipe multiprofissional na prevenção de complicações maternas e neonatais.
Quadro 1- Resultados da análise sobre o manejo das urgências e emergências obstétricas na sala de parto.
| N | AUTOR/ANO | TÍTULO | PERIÓDICO | PRINCIPAIS ACHADOS |
| A1 | Domingues et al., 2024 | Mortalidade perinatal, morbidade materna grave e near miss materno: protocolo de um estudo integrado à pesquisa Nascer no Brasil II | Cadernos de Saúde Pública | Evidenciou a importância da identificação precoce das complicações obstétricas graves e do monitoramento contínuo das gestantes para reduzir a morbimortalidade materna e perinatal. |
| A2 | Silva et al., 2022 | Assistance process to women with severe maternal morbidity: a mixed study | Revista Brasileira de Enfermagem | Demonstrou que a assistência à mulher com morbidade materna grave requer atendimento ágil, monitoramento contínuo e atuação integrada da equipe multiprofissional. |
| A3 | Prata et al., 2025 | Atitudes de colaboração interprofissional na assistência ao parto das gestantes classificadas como de alto risco obstétrico | Interface – Comunicação, Saúde, Educação | Evidenciou que a colaboração entre enfermeiros, médicos e demais profissionais favorece a tomada de decisões rápidas e eficazes diante das emergências obstétricas, contribuindo para a segurança materna e neonatal. |
| A4 | Gomes et al., 2024 | Abordagens para o manejo de complicações obstétricas durante o parto | Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences | Destacou que o manejo adequado de complicações como hemorragia pós-parto, eclâmpsia, distocia e sofrimento fetal depende da identificação precoce, da adoção de protocolos clínicos e da atuação coordenada da equipe multiprofissional. |
| A5 | Pereira et al., 2024 | Emergências Obstétricas: uma revisão da literatura científica | Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences | Evidenciou que o reconhecimento precoce das emergências obstétricas, associado à capacitação contínua dos profissionais e ao uso de protocolos assistenciais, reduz complicações maternas e neonatais. |
| A6 | Prata et al., 2025 | Desmotivação no uso das tecnologias não invasivas pela equipe de enfermagem na maternidade de alto risco | Escola Anna Nery | Identificou fatores que dificultam a utilização de tecnologias não invasivas pela equipe de enfermagem, destacando limitações institucionais, conflitos interprofissionais e necessidade de fortalecimento das boas práticas obstétricas. |
| A7 | Flick et al., 2024 | Aspectos atuais do manejo da hemorragia pós-parto | Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences | Demonstrou que a hemorragia pós-parto exige reconhecimento imediato, uso precoce de uterotônicos e ácido tranexâmico, além de medidas não cirúrgicas e cirúrgicas conforme a gravidade, reforçando a importância do treinamento das equipes. |
| A8 | Vasconcelos et al., 2024 | O cuidado obstétrico ao quarto período clínico do parto e o controle da hemorragia pós-parto: revisão integrativa | Revista Científica Multidisciplinar | Evidenciou que o monitoramento intensivo da puérpera nas primeiras horas após o parto e a utilização de protocolos assistenciais favorecem a detecção precoce da hemorragia pós-parto e reduzem a morbimortalidade materna. |
| A9 | Flores et al., 2024 | Abordagem na emergência obstétrica e seus fatores clínicos com evidências em violência obstétrica: revisão de literatura | Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences | Destacou que o atendimento humanizado, a adoção de protocolos clínicos e a qualificação dos profissionais contribuem para reduzir complicações e prevenir situações de violência obstétrica durante as emergências. |
| A10 | Sousa et al., 2021 | Atuação da enfermagem no atendimento às emergências obstétricas: eclâmpsia e pré-eclâmpsia | Brazilian Journal of Health Review | Demonstrou que a rápida identificação das síndromes hipertensivas gestacionais, associada à atuação qualificada da enfermagem e ao tratamento oportuno, reduz complicações maternas e fetais. |
Fonte: a autora, 2026.
As principais urgências e emergências obstétricas na sala de parto envolvem condições de alta gravidade como a morbidade materna grave e o near miss materno, cujo manejo recomendado depende crucialmente da identificação precoce das complicações e da implementação de intervenções oportunas. Conforme ressaltam Domingues et al. (2024), o reconhecimento antecipado dessas patologias possibilita ações terapêuticas mais rápidas, reduzindo diretamente os índices de morbimortalidade materna e perinatal. Na mesma linha de manejo, Pereira et al. (2024) afirmam que o diagnóstico precoce dessas emergências na sala de parto, aliado ao emprego de protocolos assistenciais bem estabelecidos, favorece a redução de danos maternos e neonatais, tornando a vigilância clínica contínua a conduta padrão durante todo o período periparto.
O manejo imediato de emergências críticas na sala de parto, incluindo a hemorragia pós-parto, a eclâmpsia, a distocia de ombro e o sofrimento fetal agudo, exige como conduta principal um atendimento ágil, imediato e integrado. Silva et al. (2022) demonstram que as mulheres acometidas por essas formas de morbidade materna grave necessitam de assistência imediata e monitoramento contínuo por meio da integração entre os diferentes profissionais envolvidos no cuidado. Em consonância com essa abordagem prática, Gomes et al. (2024) destacam que tais complicações obstétricas requerem respostas rápidas e coordenadas da equipe, sendo a preparação técnica para reconhecer os sinais clínicos e instituir o tratamento adequado a conduta mais eficaz para mitigar os riscos no momento do parto.
A condução e o manejo das emergências obstétricas na sala de parto têm como recomendação primordial a atuação integrada da equipe multiprofissional para acelerar as tomadas de decisão. Prata et al. (2025a) evidenciam que, diante de intercorrências de alto risco, a colaboração ativa entre enfermeiros, médicos e demais profissionais otimiza a comunicação e agiliza o processo decisório, funcionando como uma barreira de segurança essencial. Esse modelo assistencial corrobora os achados de Silva et al. (2022), que também apontam a integração da equipe na sala de parto como fator chave para uma assistência resolutiva, reduzindo atrasos críticos no manejo e melhorando os desfechos maternos e neonatais.
Uma das condutas recomendadas mais eficazes para o manejo das principais emergências na sala de parto é a adoção estrita de protocolos clínicos padronizados baseados em evidências. Pereira et al. (2024) enfatizam que o uso dessas diretrizes estruturadas não apenas auxilia na identificação rápida das patologias de urgência, mas também orienta condutas sequenciais seguras para a equipe durante o atendimento. De forma semelhante, Gomes et al. (2024) ressaltam que a padronização das intervenções reduz significativamente as falhas assistenciais e otimiza o tempo de resposta frente às intercorrências obstétricas graves que exigem ações imediatas.
Apontada como uma das principais emergências na sala de parto e maior causa de mortalidade materna, a hemorragia pós-parto exige um manejo clínico sequencial que depende do reconhecimento imediato do quadro. Flick et al. (2024) destacam que as condutas recomendadas essenciais incluem a administração precoce de uterotônicos, o uso oportuno do ácido tranexâmico e a rápida adoção de medidas cirúrgicas quando as intervenções iniciais falharem. Corroborando essa linha de tratamento, Vasconcelos et al. (2024) demonstram que a conduta de monitoramento intensivo da puérpera durante o quarto período clínico do parto (primeira hora pós-parto) possibilita flagrar precocemente as alterações hemorrágicas, viabilizando a terapêutica rápida e reduzindo a morbimortalidade.
As síndromes hipertensivas gestacionais, especificamente a pré-eclâmpsia grave e a eclâmpsia, configuram emergências obstétricas proeminentes na sala de parto, cujo manejo recomendado inicia-se com a identificação precoce dos sinais de alerta. Sousa et al. (2021) evidenciam que o diagnóstico rápido dessas condições, associado à atuação qualificada da enfermagem na estabilização da paciente, contribui diretamente para prevenir complicações orgânicas maternas e fetais. Esses achados convergem com Gomes et al. (2024), que reinserem a eclâmpsia no rol das principais emergências que demandam assistência imediata baseada em protocolos institucionais, reforçando que a vigilância contínua no trabalho de parto é a melhor conduta preventiva.
Para garantir que o manejo de urgências como a hemorragia e a crise convulsiva da eclâmpsia ocorra de forma assertiva na sala de parto, a literatura recomenda a conduta de investir permanentemente na capacitação profissional. Pereira et al. (2024) afirmam que a educação continuada fortalece a habilidade das equipes em diagnosticar precocemente as emergências e aplicar corretamente as diretrizes clínicas estabelecidas. Da mesma forma, Flick et al. (2024) ressaltam que treinamentos periódicos e simulações realísticas são condutas que geram maior segurança e destreza durante o manejo da hemorragia pós-parto, permitindo respostas mais rápidas, coordenadas e eficazes.
O manejo adequado das principais urgências e emergências na sala de parto muitas vezes enfrenta desafios estruturais e relacionais que podem comprometer a aplicação das condutas recomendadas. Prata et al. (2025b) identificaram que limitações de recursos, conflitos interprofissionais na equipe e dificuldades no uso de tecnologias não invasivas na sala de parto prejudicam a execução do cuidado em maternidades de alto risco. Esses obstáculos são corroborados por Flores et al. (2024), os quais alertam que a quebra de protocolos e a ausência de qualificação profissional em momentos de crise elevam o risco de falhas assistenciais e de violência obstétrica durante as manobras de emergência.
A humanização e o respeito à autonomia da mulher são apontados como condutas de manejo indispensáveis durante o atendimento às urgências e emergências na sala de parto. Flores et al. (2024) ressaltam que o atendimento respeitoso, executado em paralelo à aplicação de protocolos clínicos de urgência, reduz complicações de saúde e previne de forma eficaz as práticas iatrogênicas caracterizadas como violência obstétrica. Em complemento, Prata et al. (2025a) defendem que a conduta de manter uma comunicação efetiva e uma tomada de decisão compartilhada pela equipe multiprofissional assegura que o manejo das emergências de alto risco seja ético, seguro e centrado nas necessidades da parturiente.
Em suma, as evidências científicas confirmam que o manejo ideal das principais urgências e emergências obstétricas na sala de parto, como hemorragias, crises hipertensivas e distocias, requer a associação indissociável de condutas como identificação precoce, monitoramento contínuo, uso de protocolos e atuação multiprofissional. Conforme sintetizado nos estudos complementares de Domingues et al. (2024) e Silva et al. (2022), a implementação dessas condutas recomendadas e o investimento constante na qualificação da assistência são os caminhos mandatórios para reverter os desfechos desfavoráveis e garantir a segurança da mãe e do recém-nascido em situações críticas de parto.
CONCLUSÃO
Portanto, principais urgências e emergências obstétricas na sala de parto incluem hemorragia pós-parto, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta, embolia por líquido amniótico, ruptura uterina, prolapso de cordão umbilical e situações de morbidade materna grave ou near miss. Essas condições são causas relevantes de morbimortalidade materna e neonatal e exigem intervenção imediata.
O manejo adequado depende do reconhecimento precoce, da monitorização contínua, da aplicação de protocolos clínicos atualizados e da atuação integrada da equipe multiprofissional. A capacitação permanente e o desenvolvimento de habilidades técnicas e não técnicas favorecem respostas rápidas e seguras. Além disso, a assistência humanizada, a comunicação efetiva entre profissionais e a organização dos serviços de saúde são fundamentais para reduzir falhas e garantir maior segurança. O fortalecimento de estratégias como educação permanente, protocolos baseados em evidências e práticas colaborativas contribui para diminuir a morbimortalidade e assegurar uma assistência obstétrica mais qualificada e resolutiva.
REFERÊNCIAS
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DOMINGUES, Rosa Maria Soares Madeira et al. Mortalidade perinatal, morbidade materna grave e near miss materno: protocolo de um estudo integrado à pesquisa Nascer no Brasil II. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 40, n. 4, e00248222, 2024.
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