Revisão de Literatura – Exc. in Reac. Journal. (Bahia) 1 (1) * mar 2026 * 10.5281/zenodo.19009094
O USO DO CANABIDIOL NO TRATAMENTO DA DOR CRÔNICA: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA
Autores: João Alves De Freitas Filho, Yarlley Dos Santos Andrade, Antônio Cezario De Freitas Neto, Jordana Inácio De Magalhães, Danielly Mendes Lins, Lara Kauanny Da C. Rolim Lopes, Mariana Virgínia De Sá Queiroga, Andressa Almeida Fernandes, Carla Islene Holanda Moreira.
RESUMO: A dor crônica constitui um importante problema de saúde pública, por comprometer a qualidade de vida, a funcionalidade e o bem-estar biopsicossocial dos indivíduos acometidos. Diante das limitações dos tratamentos convencionais, especialmente do uso prolongado de analgésicos e opioides, o canabidiol (CBD) tem ganhado destaque como alternativa terapêutica no manejo dessa condição. O presente estudo teve como objetivo analisar os impactos do uso do canabidiol no tratamento da dor crônica, considerando seus efeitos sobre a intensidade da dor, a qualidade de vida e sua aplicabilidade terapêutica. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter bibliográfico, realizada a partir de buscas nas bases SciELO, LILACS e MEDLINE, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram utilizados os descritores “Dor Crônica”, “Canabidiol” e “Cannabis Medicinal”, combinados pelo operador booleano AND. Foram incluídos artigos completos, publicados entre 2020 e 2025, nos idiomas português e inglês, e excluídos estudos duplicados, teses, dissertações, monografias, revisões da literatura e publicações que não respondiam à questão norteadora. Os resultados evidenciaram que o canabidiol apresenta potencial analgésico e anti-inflamatório, atuando por meio do sistema endocanabinoide, especialmente na modulação da dor e de processos inflamatórios. Além disso, observou-se associação entre o uso do CBD e a melhora da qualidade do sono, do bem-estar e da qualidade de vida dos pacientes com dor crônica. Conclui-se que o canabidiol representa uma alternativa terapêutica relevante no manejo da dor crônica, embora ainda sejam necessários estudos clínicos mais robustos para ampliar as evidências acerca de sua eficácia, segurança e padronização terapêutica.
Palavras-chave: Canabidiol. Dor crônica. Cannabis medicinal. Terapêutica. Manejo da dor.
ABSTRACT: Chronic pain is an important public health problem, as it compromises the quality of life, functionality, and biopsychosocial well-being of affected individuals. Given the limitations of conventional treatments, especially the prolonged use of analgesics and opioids, cannabidiol (CBD) has gained prominence as a therapeutic alternative in the management of this condition. This study aimed to analyze the impacts of cannabidiol use in the treatment of chronic pain, considering its effects on pain intensity, quality of life, and therapeutic applicability. This is an integrative literature review, with a qualitative approach and bibliographic nature, carried out through searches in the SciELO, LILACS, and MEDLINE databases, via the Virtual Health Library (BVS). The descriptors “Chronic Pain”, “Cannabidiol”, and “Medicinal Cannabis” were used, combined with the Boolean operator AND. Full-text articles published between 2020 and 2025, in Portuguese and English, were included, while duplicate studies, theses, dissertations, monographs, literature reviews, and publications not aligned with the guiding question were excluded. The results showed that cannabidiol has analgesic and anti-inflammatory potential, acting through the endocannabinoid system, especially in the modulation of pain and inflammatory processes. In addition, an association was observed between CBD use and improvements in sleep quality, well-being, and quality of life in patients with chronic pain. It is concluded that cannabidiol represents a relevant therapeutic alternative in the management of chronic pain, although more robust clinical studies are still needed to expand the evidence regarding its efficacy, safety, and therapeutic standardization.
Keywords: Cannabidiol. Chronic pain. Medicinal cannabis. Therapeutics. Pain management.
INTRODUÇÃO
A dor crônica configura-se como uma condição debilitante que acomete milhões de pessoas em todo o mundo, sendo caracterizada pela sua permanência por um período prolongado, geralmente superior a três meses. Sua ocorrência pode estar relacionada a lesões anteriores, enfermidades crônicas, alterações neurológicas ou outras condições clínicas. Trata-se de uma experiência sensorial e emocional desagradável, decorrente de um dano tecidual real ou potencial, que pode ou não estar presente de forma física no organismo (Matias et al., 2022).
A compreensão dessa condição envolve não apenas sua definição, mas também a análise de sua prevalência, de seus impactos na qualidade de vida e dos desafios envolvidos em seu tratamento. Além do sofrimento físico, a dor crônica pode interferir significativamente na realização das atividades cotidianas, prejudicar o sono e favorecer o surgimento de problemas psicológicos, como ansiedade, depressão e isolamento social (Aguiar et al., 2021).
Nesse contexto, destaca-se sua elevada prevalência em nível global. Estima-se que aproximadamente 20% da população mundial conviva com essa condição, o que a torna um desafio constante para a prática clínica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% dos adultos apresentam dor crônica, evidenciando a necessidade de avanços terapêuticos e da implementação de políticas públicas que ampliem o acesso a estratégias de tratamento eficazes. No Brasil, aproximadamente 45,59% da população é afetada, reforçando a importância do tema no âmbito da saúde pública (Machado; Assis; Rodrigues, 2022).
Dessa forma, observa-se que sua alta ocorrência transforma a dor crônica em um relevante problema de saúde pública, impactando não apenas os indivíduos acometidos, mas também suas famílias, o sistema de saúde e a economia. Entre os principais desdobramentos dessa condição destacam-se o aumento das taxas de absenteísmo, aposentadorias precoces e perda de postos de trabalho. Além disso, há uma sobrecarga significativa nos serviços de saúde, resultante da maior procura por atendimentos médicos e dos elevados custos relacionados aos tratamentos (Alves; Alencar; Mazzetti, 2024).
Tradicionalmente, o tratamento da dor crônica na medicina convencional baseia-se, em grande parte, na utilização de medicamentos analgésicos, especialmente os opioides. Contudo, o uso prolongado desses fármacos pode ocasionar diversas complicações, como o desenvolvimento de tolerância, a ocorrência de síndrome de abstinência e a possibilidade de dependência. Diante desses riscos, torna-se essencial considerar abordagens terapêuticas complementares que contribuam para um manejo mais seguro e eficaz da dor (Brandão et al., 2024).
Nesse cenário, destaca-se o uso de plantas com propriedades medicinais, uma prática milenar que teve origem na observação da natureza e do comportamento dos animais ao consumir determinadas espécies vegetais. Entre essas plantas, a Cannabis, conhecida popularmente como cânhamo ou maconha, apresenta diversas substâncias em sua composição. Dentre elas, destacam-se o Delta-9-Tetrahidrocanabinol (∆9-THC) e o Canabidiol (CBD), compostos que vêm sendo amplamente investigados quanto ao seu potencial terapêutico no tratamento de diferentes patologias (Pannuzio; Fernandes, 2024).
Os canabinoides, associados ao sistema endocanabinoide, têm recebido atenção crescente devido ao seu papel na modulação da dor crônica. Essas substâncias químicas atuam interagindo com receptores específicos do organismo, principalmente os receptores canabinoides CB1 e CB2, que compõem o sistema endocanabinoide. Esse sistema desempenha funções importantes na regulação de processos fisiológicos como dor, inflamação, humor, apetite e memória. Nesse sentido, estudos têm demonstrado a capacidade desses compostos, derivados da Cannabis, de modular respostas inflamatórias (Guimarães et al., 2024).
Historicamente, o cultivo e o consumo da Cannabis foram proibidos em 1937 em decorrência de seus efeitos alucinógenos. Entretanto, nas últimas décadas, discussões sobre sua legalização para fins medicinais e para uso recreativo têm ganhado destaque em diferentes países. Como resultado, diversas legislações e regulamentações passaram por processos de flexibilização, impulsionando também o desenvolvimento de um novo mercado voltado à produção e comercialização de produtos derivados da cannabis (Alves; Alencar; Mazzetti, 2024).
No Brasil, um marco importante ocorreu em 2014, quando o Conselho Federal de Medicina autorizou, por meio da Resolução nº 2.113/2014, o uso compassivo do Canabidiol (CBD) para o tratamento de epilepsia em crianças e adolescentes que não respondiam às terapias convencionais. Posteriormente, em 2017, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) publicou a Resolução nº 156, de 5 de maio de 2017, permitindo a inclusão da cannabis como possível componente para o registro de medicamentos, abrindo caminho para avanços regulatórios relacionados ao uso da planta com finalidade medicinal (ANVISA, 2017).
Nesse contexto, investigar o uso do CBD no tratamento da dor crônica mostra-se relevante por apresentar uma alternativa considerada mais segura e natural para o alívio da dor, além de reduzir os riscos associados aos medicamentos tradicionalmente utilizados. No entanto, é imprescindível que profissionais da área da saúde estejam devidamente atualizados quanto às regulamentações vigentes e às evidências científicas disponíveis antes de incluir o CBD como parte do tratamento.
Assim, este estudo justifica-se pela contribuição que o uso do canabidiol pode oferecer ao manejo da dor crônica, especialmente ao possibilitar uma abordagem terapêutica complementar e individualizada, favorecendo a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Além disso, destaca-se que o CBD apresenta potenciais efeitos ansiolíticos e antidepressivos leves, podendo beneficiar indivíduos cuja dor crônica esteja associada a quadros de ansiedade ou depressão. Dessa maneira, reforça-se a importância de ampliar as investigações acerca dessa planta e de seus possíveis benefícios terapêuticos.
Diante desse cenário, formulou-se a seguinte questão norteadora: quais são os impactos do uso do canabidiol no tratamento da dor crônica?
METODOLOGIA
O presente estudo adotou uma abordagem qualitativa, considerada adequada para investigações que buscam compreender fenômenos complexos no campo da saúde, especialmente aqueles relacionados a interpretações, significados e produções científicas sobre determinado tema. Esse tipo de abordagem permite analisar diferentes perspectivas presentes na literatura, possibilitando uma compreensão mais ampla do objeto de estudo (Minayo, 2013).
Quanto à natureza, a pesquisa caracteriza-se como um estudo bibliográfico, fundamentado na análise de produções científicas previamente publicadas. Esse tipo de investigação possibilita reunir, examinar e sistematizar conhecimentos já disponíveis na literatura sobre uma temática específica. Conforme Gil (2019), a pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de materiais já divulgados, exigindo a consulta a autores e estudos reconhecidos no campo científico relacionado ao objeto investigado.
Como método de investigação foi utilizada a revisão integrativa da literatura, considerada uma das estratégias mais abrangentes para a síntese do conhecimento científico. Essa abordagem permite reunir, analisar e interpretar resultados de pesquisas anteriores, contribuindo para a consolidação de evidências disponíveis sobre determinado tema. Além disso, possibilita uma compreensão mais ampla dos conceitos, resultados e lacunas existentes na produção científica, favorecendo tanto o avanço do conhecimento acadêmico quanto a aplicação dos achados na prática em saúde (Souza; Silva; Carvalho, 2010).
A realização da revisão integrativa seguiu etapas metodológicas previamente estabelecidas, que incluíram: formulação da questão norteadora da pesquisa; definição dos descritores e dos critérios de inclusão e exclusão; busca dos estudos nas bases de dados selecionadas; leitura e seleção dos artigos; extração das informações relevantes; avaliação crítica dos estudos; categorização e análise dos dados; e apresentação dos resultados por meio de síntese descritiva.
A definição da questão norteadora representou uma etapa essencial do estudo, uma vez que direcionou todo o processo de busca e seleção das produções científicas. Assim, estabeleceu-se como pergunta central da pesquisa: Quais são os impactos do uso do canabidiol no tratamento da dor crônica?
A coleta de dados foi realizada por dois pesquisadores, por meio de buscas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando como fontes científicas as bases de dados Scientific Electronic Library Online (SciELO), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE).
Para a estratégia de busca foram utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): “Dor Crônica”, “Canabidiol” e “Cannabis Medicinal”, combinados entre si por meio do operador booleano AND, com o objetivo de ampliar a precisão e a relevância dos resultados encontrados nas bases de dados consultadas.
A coleta das produções científicas ocorreu no período de agosto a setembro de 2025. Foram incluídos na pesquisa artigos disponíveis na íntegra, publicados entre os anos de 2020 e 2025, nos idiomas português ou inglês, que abordassem diretamente o uso do canabidiol ou de derivados da cannabis no manejo da dor crônica.
Foram excluídos da amostra estudos duplicados, relatos de experiência, revisões da literatura, teses, dissertações, monografias, resumos de eventos científicos e documentos que não apresentassem relação direta com a temática investigada ou que não estivessem alinhados à questão norteadora da pesquisa.
Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, os artigos selecionados foram submetidos à leitura na íntegra para extração das informações mais relevantes. Posteriormente, os dados obtidos foram organizados em quadros e tabelas, com o objetivo de facilitar a análise qualitativa e descritiva dos achados identificados nos estudos incluídos.
Por fim, os estudos que compuseram a amostra final foram classificados de acordo com os níveis de evidência científica, conforme proposto por Souza, Silva e Carvalho (2010), incluindo: estudos experimentais individuais, pesquisas quase-experimentais, estudos descritivos ou qualitativos não experimentais e relatos de caso ou experiência, sendo a seleção final dos artigos apresentada por meio de fluxograma ilustrativo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Para compreender de forma organizada as evidências científicas acerca do uso do canabidiol no tratamento da dor crônica, realizou-se uma análise das principais produções acadêmicas disponíveis na literatura. Essa etapa permitiu identificar estudos que abordam os efeitos terapêuticos do canabidiol e de outros compostos derivados da Cannabis sativa no manejo de diferentes condições associadas à dor persistente.
Nesse contexto, o Quadro 1 apresenta a síntese dos estudos selecionados, reunindo informações referentes à identificação das pesquisas, autoria e ano de publicação, título, objetivo e principais resultados encontrados. Essa organização possibilita uma visualização mais clara das contribuições científicas sobre o uso do canabidiol no tratamento da dor crônica, facilitando a análise e a compreensão dos achados presentes na literatura.
Quadro 1 – Estudos sobre o uso do canabidiol no tratamento da dor crônica.
| Autor/Ano | Título do estudo | Objetivo do estudo | Tipo de estudo | Principais resultados |
| Lopes Júnior et al., 2023 | Uso de cannabis e seus derivados no manejo da dor crônica | Analisar o uso da cannabis e de seus derivados no manejo da dor crônica. | Revisão sistemática | Os resultados indicaram que os canabinoides apresentam potencial analgésico significativo, atuando na modulação da dor e da inflamação por meio do sistema endocanabinoide. |
| Bezerra et al., 2024 | O uso do canabidiol no tratamento da dor crônica e outras condições clínicas | Avaliar as evidências científicas sobre o uso do canabidiol no tratamento de dor crônica e outras condições clínicas. | Revisão de literatura | O estudo apontou que o CBD apresenta propriedades analgésicas e anti-inflamatórias, podendo contribuir para a redução da intensidade da dor e melhora da qualidade de vida dos pacientes. |
| Assing et al., 2024 | Cannabis medicinal na gestão da dor crônica | Investigar o papel da cannabis medicinal no tratamento da dor crônica. | Revisão da literatura | Foi observado que compostos como THC e CBD atuam na modulação da dor através do sistema endocanabinoide, podendo reduzir sintomas dolorosos e melhorar o bem-estar dos pacientes. |
| Alves et al., 2024 | Uso de compostos canabinoides no tratamento de dores crônicas | Identificar os efeitos dos compostos canabinoides no tratamento de diferentes tipos de dor crônica. | Revisão científica | Os resultados demonstraram eficácia dos canabinoides em condições como fibromialgia, dor neuropática e artrite, além de melhorias na qualidade do sono. |
| Albuquerque et al., 2025 | Efeitos terapêuticos da cannabis medicinal na dor crônica | Analisar o potencial terapêutico da cannabis medicinal no controle da dor crônica. | Revisão integrativa | O estudo evidenciou que o CBD pode representar uma alternativa terapêutica promissora, principalmente em casos nos quais tratamentos convencionais não apresentam resultados satisfatórios. |
| Longo et al., 2021 | Cannabinoids for Chronic Pain: A Rapid Systematic Review | Avaliar a eficácia dos canabinoides no tratamento da dor crônica em diferentes populações. | Revisão sistemática | Os resultados mostraram evidências moderadas de que os canabinoides podem reduzir a intensidade da dor crônica em diversos contextos clínicos. |
| Silva et al., 2023 | Effectiveness of Cannabidiol to Manage Chronic Pain | Investigar a efetividade do canabidiol no manejo da dor crônica em estudos clínicos. | Revisão de estudos clínicos | A maioria dos estudos analisados apresentou redução significativa da dor crônica em pacientes tratados com CBD isolado ou associado a outros canabinoides. |
| Johnson et al., 2024 | Cannabidiol (CBD): A Systematic Review of Clinical and Preclinical Studies | Avaliar evidências clínicas e pré-clínicas sobre o uso do CBD para dor crônica. | Revisão sistemática | Os resultados indicaram que o CBD possui propriedades analgésicas relevantes, especialmente em casos de dor neuropática e inflamatória. |
Fonte: os autores, 2026.
Lopes Júnior et al. (2023) destacam que o uso de derivados da Cannabis sativa apresenta potencial relevante no manejo da dor crônica, principalmente por meio da atuação dos canabinoides no sistema endocanabinoide, o qual participa da modulação da dor e de processos inflamatórios. Corroborando essa perspectiva, Bezerra et al. (2024) ressaltam que o canabidiol (CBD) possui propriedades analgésicas e anti-inflamatórias capazes de contribuir para a redução da intensidade da dor, além de favorecer melhorias na qualidade de vida de indivíduos acometidos por condições dolorosas persistentes.
No mesmo sentido, Assing et al. (2024) evidenciam que a cannabis medicinal tem sido investigada como alternativa terapêutica no tratamento da dor crônica, destacando a interação dos compostos canabinoides com receptores específicos do sistema nervoso responsáveis pela modulação da dor. De forma semelhante, Alves et al. (2024) apontam que os canabinoides podem apresentar eficácia no controle de diferentes tipos de dor crônica, incluindo dor neuropática, fibromialgia e condições inflamatórias, contribuindo ainda para melhorias na qualidade do sono e no bem-estar dos pacientes.
Albuquerque et al. (2025) enfatizam que o uso terapêutico da cannabis medicinal vem ganhando espaço nas pesquisas científicas devido ao seu potencial analgésico e à possibilidade de representar uma alternativa para indivíduos que não apresentam resposta satisfatória aos tratamentos convencionais. Em consonância com essa perspectiva, Longo et al. (2021) observaram, por meio de uma revisão sistemática, evidências moderadas de que os canabinoides podem promover redução da intensidade da dor crônica em diferentes contextos clínicos, reforçando a relevância dessa abordagem terapêutica.
Ao analisar especificamente os efeitos do canabidiol no controle da dor crônica, Silva et al. (2023) verificaram que diversos estudos clínicos apontam redução significativa da dor em pacientes tratados com CBD isolado ou associado a outros compostos canabinoides. De maneira semelhante, Johnson et al. (2024) identificaram, em sua revisão sistemática, que o canabidiol apresenta propriedades analgésicas importantes, especialmente em casos de dor neuropática e inflamatória, destacando seu potencial terapêutico no manejo de condições dolorosas persistentes.
Lopes Júnior et al. (2023) também destacam que a atuação dos canabinoides ocorre por meio da interação com receptores CB1 e CB2, responsáveis por regular processos fisiológicos relacionados à dor e à inflamação. De forma complementar, Assing et al. (2024) afirmam que essa interação com o sistema endocanabinoide contribui para a modulação da percepção da dor, o que explica o crescente interesse científico no uso da cannabis medicinal como alternativa terapêutica para pacientes com dor crônica.
Sob outra perspectiva, Bezerra et al. (2024) ressaltam que o uso do canabidiol pode representar uma estratégia complementar no manejo da dor crônica, especialmente quando associado a outras abordagens terapêuticas. De maneira semelhante, Alves et al. (2024) destacam que a utilização de compostos canabinoides pode contribuir para a redução da necessidade de medicamentos analgésicos convencionais, como os opioides, cujos efeitos adversos e riscos de dependência têm sido amplamente discutidos na literatura.
Nesse contexto, Albuquerque et al. (2025) argumentam que o uso medicinal da cannabis tem despertado crescente interesse na área da saúde, sobretudo pela possibilidade de oferecer novas alternativas terapêuticas para pacientes com dor crônica refratária. Em consonância, Silva et al. (2023) apontam que o canabidiol apresenta perfil de segurança favorável quando comparado a outros medicamentos utilizados no tratamento da dor, o que reforça sua relevância como opção terapêutica em estudos clínicos recentes.
Por fim, Longo et al. (2021) destacam que, embora existam evidências promissoras sobre a eficácia dos canabinoides no tratamento da dor crônica, ainda são necessários mais estudos clínicos para consolidar as evidências científicas sobre sua segurança e efetividade. De maneira semelhante, Johnson et al. (2024) afirmam que, apesar dos avanços nas pesquisas sobre o canabidiol, ainda existem lacunas na literatura científica que demandam investigações mais aprofundadas, especialmente no que se refere à padronização de doses, formas de administração e avaliação de efeitos a longo prazo.
CONCLUSÃO
Portanto, observa-se que o uso do canabidiol (CBD) tem sido apontado na literatura como uma alternativa terapêutica relevante no tratamento da dor crônica. As evidências indicam que os compostos derivados da Cannabis sativa atuam no sistema endocanabinoide, contribuindo para a modulação da dor e de processos inflamatórios relacionados a diferentes condições clínicas. Além disso, os estudos analisados demonstram que o uso do CBD pode estar associado à redução da intensidade da dor, à melhora da qualidade do sono e a impactos positivos na qualidade de vida de indivíduos que convivem com dor crônica.
Apesar dos avanços observados nas pesquisas sobre o tema, ainda existem lacunas na literatura científica que demandam maior aprofundamento. Nesse sentido, destaca-se a necessidade da realização de novos estudos clínicos que investiguem de forma mais detalhada a eficácia, a segurança, as formas de administração e a padronização das doses do canabidiol no manejo da dor crônica. Dessa maneira, o desenvolvimento de novas pesquisas poderá contribuir para fortalecer as evidências científicas e ampliar a compreensão sobre o potencial terapêutico do CBD no tratamento dessa condição.
Referências
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